sábado, 11 de abril de 2009

Ben Christo

Ben Chivers, ou Christo, ou ainda Saint Ben Christo of Soho, já teve uma banda de hardcore, a AKO, e tem uma de “rock clássico”, a Night by Night, que é bem recente por sinal, mas o motivo para ele estar aqui, além “daquele” óbvio, é que integra desde 2006, talvez de gaiato, uma das bandas mais representativas do rock alternativo e dos anos 80 e, não fosse por Ben, talvez nem aparecesse por aqui, tão limitado é este espaço. O mocinho bonito aí é hoje guitarrista da soturna The Sisters Of Mercy. Precisa falar mais?


The Sisters of Mercy, liderada até hoje por Andrew Eldritch, é uma banda gótica (embora o rótulo incomode um pouco, quem sabe por soar caricato e constrangedor) surgida bem no começo dos anos 80 e um dos pilares do estilo, referência a todo maníaco-depressivo de plantão. Geralmente o termo mais conveniente seja “pós-punk”, mas este e “gótico” são conceitos que vira-e-mexe se confundem. Tem três álbuns de estúdio, First and Last and Always (85), Foodland (87) e Vision Thing (90), e algumas compilações e singles. Passou por várias formações diferentes, sempre com Andrew à frente, e vez em quando dão o ar da graça pelo mundo, sem, contudo, presentear os fãs com um quarto álbum.

Confesso que hoje acho a lamúria gótica demasiada juvenil, mas eu seria herege se não reconhecesse a transformação estética e ideológica que bandas como os Sisters proporcionaram. Era tudo início ainda, algo se apresentando ao mundo. Assim como Siouxsie, Bauhaus e algumas outras, The Sisters Of Mercy apresentou uma emoção nova, num tempo em que o novo ainda era possível. A fúria travestida de melancolia, a desilusão depressiva, o flagelo e o suicídio como opções adolescentes mais nobres que a entrega à burrice e à miséria de espírito. A tristeza que lhes afligia não era essa de hoje, desejada e afetada, era uma fatalidade, uma tragédia que os empurrava sempre a algum lugar.



Os Sisters não devem mais produzir nada inédito, muito menos transgressor, mas são desses artistas cuja história é suficiente pra mantê-los ativos e fascinantes, mesmo para jovens fãs. O problema é que Saint Ben Christo of Soho é menos que um coadjuvante nessa história toda, e acho que sabe disso. Jamais assinará uma obra dessa banda do passado, e por isso talvez invista em projetos paralelos, como Night By Night, do qual também é vocalista. Bem diferente, o NBN é quase uma banda poser, com um visual meio que exagerado, viado e démodé. Christo precisará de certo cuidado pra não errar a mão ali, e fazer jus a seu talento, a sua beleza e à experiência de um dia ter feito parte do sonho sombrio, mas elegante das “irmãs da misericórdia”.

3 caralhices:

Leco Vilela disse...

Ele me lembra o Cigano Igor

Anônimo disse...

Sisters não é Pos Punk. Uma vez que o pós punk é apenas um dos estilos do Gótico. Mais do que isso, eles marcaram toda uma evolução na música gótica. Eles são pioneiros no que chamamos de "Gothic Rock". Estilo marcado por bateria eletrônica ( na qual o Sisters também são pioneiros), sintetizadoires e uma forte influência do Glam Rock, ainda não "sentida" no pós punk. Seria então um pós-pós punk ^^.

Adorei seu blog, beijos

Anônimo disse...

Vi o cara de frente no Via Funchal 2012 o cara é lindo e toca pra caramba!