segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Jobriath

 Ele nasceu Bruce Wayne Campbell, na Philadelphia. Foi considerado, para o bem e para o mal, o David Bowie americano, devido a sua figura andrógina, extravagante, e por também ter vivido a era do Glam Rock. A comparação com o ídolo britânico atrapalhou um pouco o reconhecimento que poderia ter, mas se tornou depois referência e inspiração para diversos artistas como Morrissey e Pet Shop Boys. Jobriath foi também o primeiro roqueiro abertamente gay a assinar com uma grande gravadora e um dos primeiros artistas famosos a morrer de complicações decorrentes da Aids.
Antes de incarnar a persona de Jobriath, que chamava de “a fada madrinha do rock”, teve sua primeira banda, Pidgeon, do single Rubber Bricks, logo após fazer parte do musical Hair. Nessa mesma época, foi preso em um hospital psiquiátrico militar, onde ficou seis meses, período em que começou a compor as canções do seu futuro personagem. Como Jobriath, assinou com a Elektra Records o contrato mais lucrativo de seu tempo e lançou dois álbuns: “Jobriath” (1973), dos sucessos I'maman e Rock of Ages (cujo lançamento substituiu Take me I'm Yours, preterida por seu tema sadomasoquista), e “Creatures of the Street”, lançado seis meses depois, de Ooh La La e Scumbag.
 
Os lançamentos não foram como previstos. Jobriath foi mal interpretado e comparado negativamente a David Bowie. Foi considerado exagerado, estranho, sexualmente apelativo, e até mesmo sonoramente ruim. Após o segundo álbum, então, decidiu se aposentar da grande indústria e se tornou um cantor de cabaré chamado Cole Berlin. 

 Em 1983, dez anos depois do lançamento do primeiro álbum, sucumbiu à Aids, deixando como legado uma personalidade de extrema desenvoltura e coragem, sem medo de expor sua sexualidade e ideais artísticos. Jobriath, mesmo apequenado num grupo de gigantes contemporâneos com propostas em comum, como Bowie e Elton John, se destacou por ser honesto diante do público, e sensível às verdades da vida e da cena em que se inseriu. Sobre ele foi lançado o documentário Jobriath A.d.

Neste 1 de dezembro, Dia Mundial da Luta Contra a Aids, o CdoRock não poderia deixar de homenagear uma figura tão importante para a cultura queer. E lembrar que muito tempo se passou desde que a doença foi considerada um “câncer gay”. Ainda assim, os estigmas persistem, e também as contaminações. Mais do que formas de prevenção, já bem conhecidas, é importante disseminar as informações para diminuir o medo e a discriminação daqueles que já são portadores do vírus HIV.

Este blog deixa a dica de alguns textos e vídeos nessa linha (cliquem nos links abaixo), como o depoimento de um soropositivo que nos informa que hoje em dia o portador do vírus que adere ao tratamento com antirretrovirais é considerado um parceiro sexual seguro, com a quantidade de vírus bastante reduzida de seu sangue e secreções genitais. A matéria da Super Interessante sobre os atuais avanços rumo à cura também vale a espiada, assim como a curiosa campanha We Are All Clean, que tenta desconstruir a ideia de que o soropositivo seja alguém “sujo”. Que comecemos 2015 mais bem informados.

Links citados:

Veja ainda:

"And all the pretty boys lay in the passage of every song that etched its way from out my bleeding heart. But I have to bleed to be freed. To be freed."