quarta-feira, 23 de julho de 2014

Tony Sylvester


Ele aceitou arcar com as consequências de assumir o vocal de uma banda veterana, lá pelos cerca de 20 anos de carreira dela. Substituiu alguém que por muitos anos foi a cara e a essência da banda. Não é um desafio fácil, mas as aventuras da excêntrica banda punk Turbonegro não podiam acabar.


Com oito álbuns lançados até aquele momento, Turbonegro foi umas das mais divertidas e provocativas bandas do underground da Noruega e do mundo. Com letras que sempre abordavam sexo, política e comportamento, Turbonegro também apelava para um visual entre o glam e o gótico/gore e performances de cunho sexual emblemáticas, com os dois pés no homoerotismo.


Tony era um fã conhecido da Turbonegro, vocal da The Dukes of Nothing, e integrava o fã-clube Turbojugend, reconhecido pela banda norueguesa como seu principal elo com os fãs organizados. Tony, conhecendo de perto o perfil de quem curtia a banda, sabia os riscos que poderia enfrentar assumindo os vocais. Esperava inclusive que atirassem garrafas em suas primeiras apresentações. Felizmente, a rejeição não aconteceu e, apesar das opiniões divididas, é possível considerar que a substituição é definitiva.


Tony assumiu o nono álbum da Turbonegro, Sexual Harassment, lançado em 2012. Mantém um visual glam e a ambiguidade sexual. Ocupa os palcos como um dos mais belos e sensuais ursos de todo o rock. E, embora a sexualidade dos integrantes da banda não seja exatamente conhecida ou declarada, Tony já disse: “O rock and roll sempre foi perversamente homossexual. Se considerarmos homossexualidade de qualquer coisa de platônico entre amantes masculinos para cima, então eu acho que isto é outra coisa com que queremos exagerar e brincar. De verdade.”


Uma cena define Turbonegro, Tony Sylvester, e tudo que a envolve. Uma apresentação, já com Tony, da canção I Got Erection, do terceiro álbum da banda, Ass Cobra. A plateia, majoritamente masculina, cantarola o título/refrão da canção, à capela, como introdução a ela, que seria em seguida executada pela banda. Muitos homens berravam estar com uma ereção e, ao início da música, começavam um típico e agressivo moshing, aquele empurra-empurra dos shows de rock pesado. Pura testosterona e falocentrismo, baby. Pura viadagem. Não é pra qualquer um.