sábado, 24 de setembro de 2011

MICHAEL STIPE


"O legado do punk rock é poder usar luzes de Natal o ano todo. Foi só isso que eles deixaram para nós, no fim"

Esta foi uma declaração de Michael ao site The Creators Project, em que divulgava o seu trabalho como artista plástico. Ele, que também se aventurou pela fotografia (com destaque para Two Times Intro: On The Road With Patti Smith) e pelo cinema, encabeçando a produção executiva de filmes como Velvet Goldmine e Quero Ser Jonh Malkovich, e por anos liderou uma das bandas alternativas de maior sucesso comercial que conhecemos, que nos anos 1990 assinou um dos contratos de gravação (com a Warner Bros) mais caros da história. E que, em dias de Rock In Rio, vale lembrar, foi eleita a banda mais carismática na terceira edição do festival.

O R.E.M começou em 1980 e foi por mais de 30 anos a banda de rock alternativo que surpreendia pela manutenção da carreira, e qualidade do seu sucesso. Para muitos, foi incomum que um tipo de som como o dessa banda de Georgia (EUA) conquistasse tantos ouvintes. Agora, como se sabe, foi anunciado em seu site oficial o fim do grupo que, segundo alguns, teria aberto as portas para o grunge, e compôs “a música mais triste do mundo”, Everybody Hurts.

O maior sucesso do R.E.M, porém, é Losing My Religion, do álbum Out Of Time, de 1991, cujo clipe é repleto de referências à “cultura gay”, com personagens bastante andróginos, como o já manjado São Sebastião, e moços dispostos de maneira ambígua. O vídeo é inspirado nas pinturas de Caravaggio, Pierre et Gilles e no trabalho do cineasta Andrei Tarkovsky, e a dança esquisita de Stipe é uma homenagem a Sinéad O'Connor, que dança esquisito também no vídeo de The Emperor's New Clothes. O verso “losing my religion”, segundo Michael, é inspirado numa expressão do sul dos EUA e indica algo como perder a civilidade.

Curiosa ainda é a evolução em torno dos boatos a respeito da sexualidade de Michael. Aids, romance com outros famosos (como com o caralhíssimo Stephen Dorff), tudo já surgiu. Questionado a respeito em 1994, ele veio com aquele papo de não-definições, mas atrações por ambos os sexos. Em 2001, se definiu como um “artista queer” e em 2008 finalmente assumiu o rótulo “gay”. Alegou na ocasião não compreender antes a importância do rótulo para as pessoas, mas que naquele ano percebeu o quanto significava se assumir daquele modo. Hoje, descansado do peso político ou conceitual das palavras, se expõe um pouco mais. Sua vida pessoal é mais aberta, até fotos com o namorado espalha pela internet.

Maduro, dando um caldo aos 51 anos, e sempre peludo, Michael Stipe, dos poucos artistas comerciais a se definir como “queer” (e estimular a pesquisa por essa ideia), disse “chega” e encerra um grande período da música pop. Não sem antes publicar um vídeo “artístico-safadinho”.

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